Complicada, eu??? Sexo frágil, sim. Quando eu quiser. E daí?
Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
Existem coisas que nos fazem tão felizes que as tememos.
Coisas que, mesmo em pequenas doses, são suficientes para mudar todo nosso estado de espírito.
Coisas que são melhores afastar do pensamento pois o desejo do impossível é a maior dor que existe.
Nestas horas é bom pensar que a vida infinita permite outros recomeços e, sobretudo, permite enxergar a verdade por trás de todas as ilusões.
E hoje eu sei que fugi de todas as minhas ilusões e fiz as escolhas "certas" que me levaram e levam aos caminhos "certos". Escolhas que me fazem feliz.
Talvez eu tenha adiado alguns encontros para mais tarde.
Mas eu sei que foram apenas adiados.
O que é verdadeiro sempre permanece.
E eu ainda vou encontrar minha verdade.
Sempre pedi que ele fizesse isso...sempre...
Mas não esperava que fosse desta maneira, numa atitude individual e silenciosa.
Confesso que fiquei negativamente surpresa. Uma sensação misto de traição com falta de confiança me invadiu repentinamente com esta revelação.
Não fiquei feliz. Nem um pouco. Por que ele só falou com após minha insistência e, mesmo assim, foram palavras breves.
E se a mágoa me impediu de perguntar, ele também não fez questão de entrar em detalhes, encerrando meu conflito interior em um silencioso quarto escuro.
Ele dorme... eu me aflijo.
Talvez seja medo de perder o controle... Talvez seja medo das descobertas que estão por vir...
Será que isso irá nos ajudar? Ou nos levará novamente a uma encruzilhada ou caminhos diferentes?
Acho que nos acostumamos com tudo nesta vida. Até mesmo com os sofrimentos.
Nos acostumamos tanto que chegamos a ter medo de perdê-los. Medo por não sermos capazes de imaginar o que de melhor pode existir atrás das mudanças.
Mudar dói...
E uma grande mudança pode estar iniciando sem que eu saiba... Para melhor? Ou para pior?
"Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. "
Clarice Lispector
Talvez eu seja feliz sem saber que sou...
Ele ainda me toca, mas é cada vez mais difícil transformá-lo em palavras.
Ás vezes sinto saudades de falar de amor.
Parei para refletir nos momentos felizes que tenho vivido e que não se relacionam de forma alguma às coisas materiais.
Tentar colher algumas pérolas em minh'alma no meio de tantas coisas palpáveis não é tão simples.
Realmente minha ânsia me cercou de uma coleção de alegrias com tamanho e preço.
E quando não desta forma, com alegrias que são recompensas de longos anos de estudo e sacrifício, mas ainda resultado da ambição, ainda que sadia.
Parando para pensar bem....até minhas orações mudaram!
E então, eu tento vasculhar as felicidades simples que habitam minha vida. Aquelas tão doces como receber uma carta de amor ou caminhar de mãos dadas no campus da faculdade.
Tudo ainda continua muito belo. Posso perfeitamente apreciar as cores e perfumes sem que nada passe desapercebido. Mas já não é tão fácil me alegrar como antes.
Mais fácil é chorar de saudades pelo que vivi.
Preciso exercitar meu coração.
Arrancar as primeiras camadas que se formam, para que ele não se torne insensível às pequenas carícias.
Pois aquele show me deixou uma linda lembrança.
Me deu a oportunidade de ver como o simples pode tornar-se o mais belo dos belos, dependendo dos olhos que vêem.
E então, no meu precário exercício, coloco na minha coleção de doces e simples momentos, uma música....
Resposta ao Tempo (Nana Caymmi)
Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei
Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, seu eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei
E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer
P.S.: O show foi do maravilhoso velhinho com alma de moço: Ermeto Pascoal.
Um dia aqui foi um refúgio. Um lugar onde encontra-se histórias sem nomes e corações sem rosto.
Hoje já não é tão oculto. E me sinto tentada a fechar as cortinas lentamente e mostrar apenas o vulto de cada dia, a máscara que todos enxergam.
Preciso continuar passando desapercebida neste mundo.
Isso às vezes é sobreviver.
É a difícil arte de se moldar para servir em todas as situações e papéis que precisamos desempenhar nesta vida.
Talvez eu seja autêntica à noite no meu colchão.
Quando a cabeça pesa sobre o travesseiro e tudo se apaga.
Leveza.
Desobrigação.
É isso que quero até domingo.
Eu voltei e trouxe uma prima comigo.
Ela se foi sexta e só agora meu ano começa normalmente...
Talvez seja muito pesado dizer "é uma pena..."
Mas também não seria sincero dizer "que bom!"
Desligado todos os laços com a família, começa o "batidão".
Acho que estou no único lugar do Brasil onde não se fala de carnaval.
Minhas lembranças do CARNÁ 2005, então, serão estes alemães super-trabalhadores...
Bom pra eles!
Aqui está tudo igual.
A única diferença é que mais uma vez renovei as promessas de não terminar o ano sem falar inglês e espanhol. E quem sabe desta vez funcione.
Outra novidade é que resolvi pegar toda minhas economias e fazer um MBA.
Não sei se é a decisão correta, afinal tenho pouca experiência. Mas não quero ficar atoa, pois senão baixa a deprê.
Recomecei a aula de dança do ventre e procuro uma horinha na semana para a yoga.
Voltei a ir ao centro e fazer culto em casa.
E hoje comprei um monte de comida que faz bem à saúde.
Eu sei... já é um pouco tarde. Mas como eu disse, só agora mergulhei definitivamente na realidade.
E pra não deixar passar em branco, janeiro também me fez mais velha.
E de todos os meus presentes, sem querer ser ingrata, o mais belo depois das flores, foi o email de um grande amigo de Uberlândia.
E ele vai ficar aqui.... Não porque eu mereço! Mas pra todos verem que poeta ele é!
Mais uma ano se foi...
e você continua colhendo flores
e construindo um jardim lindo
na sua vida.
Suas flores, mesmo à distância,
exalam o bom perfume puramente
divino.
Quem te vê, não precisa de suas palavras,!
Quem te ouve, não precisa de sua presença
Quem está ao seu lado, não precisa do seu carinho!
Sabe o porquê disso tudo? Porque cada parte sua é o
todo e basta um pedacinho de você para sabermos
o quanto é divina.
O mundo reverencia a sua perfeição ao passo que
outros a tem por inveja... Mas, mesmo estes precisam
admirá-la imensamente para depois invejá-la!
Saiba que você é única no mundo, um modelo
sem réplica...
A sua felicidade é importante para nós,
pois através dela e de você, vemos o mundo
um pouco melhor!!!
Ontem comprei as passagens...
Pensar no retorno não é muito agradável...
Fecho os olhos e consigo enxergar todo o turbilhão que me espera.
Aqui é tudo tão calmo...
Talvez por não ser mais a minha vida, se tornou um refúgio, o local perfeito para a fuga de tudo que me incomoda.
E lá.... lá é um campo de batalha....
Ainda mais quando o ano novo traz tanta necessidade de renovação.
Fé e coragem..... é tudo que preciso neste ano de 2005!
E aqui encontro fogo suficiente para aquecer meu coração e até arriscar algumas palavras.
Ainda não sinto vontade de desabafar. Perdi esta vontade quando percebi que o fazia para que alguém pudesse me ajudar a solucionar meus problemas. Mas nem sempre dividir torna o fardo mais leve. E ninguém pode resolver meus problemas. Nem as pessoas que gostariam de me ver muito, muito bem.
Mas se uma certa aceitação triste me envolveu, resolvo não mais lamentar. Aceitei minha vida como ela é e prossigo olhando para as flores que enfeitam o caminho.
A única coisa que não perdi e nunca perderei é a crença de que há algo muito maior que tudo isso e que um dia tudo fará sentido. Todos meus problemas não tão bem resolvidos me levarão a algum lugar. E então talvez esta minha "aceitação triste" se torne uma alegria por dever cumprido, objetivo alcaçado.
Mas preciso esquecer estas questões por enquanto e me concentrar na família. Minha imperfeita, mas maravilhosa família.
Estou tendo muitos maus pressentimentos. Ela está muito doente... talvez seja nosso último natal e virada de ano juntas. Este pensamento tem me perseguido insistentemente há mais de 4 meses. Algo em mim tenta me preparar para o momento mais difícil de minha vida. Como deve ser perder quem mais se ama na vida? Sua melhor amiga, seu porto seguro, sua alma irmã?
Às vezes tenho muito medo destes vazios que vida cria em mim.
Às vezes trabalho, relacionamentos, amizades, tudo o mais, se torna muito fútil e superficial para cobrir certas ausências.
Ainda não consegui me acostumar com as saudades.
E o pior é saber que ela ainda pode aumentar MUITO, MUITO mais e de uma forma irreversível.
Existem lugares onde todo o peso é substituído por tranquilidade, onde a grandiosidade do Criador me envolve e acaricia, onde o agitado mundo que há em mim é plenamento absorvido sem palavras, e onde não há espaços para pensamentos agressivos, de medo ou revolta.
Tenho procurado sempre estes refúgios para uma alma que ainda está se debatendo para aprender a viver.
Nestes lugares, pesa apenas a vontade de ter os meus ao meu lado.
Uma tristeza terna de quem ainda não pode dividir com aqueles que tanto merecem.
É quando minha solidão é compartilhada com não sei quem e mesmo sendo triste, se torna leve, sem revolta.
De lá veio comigo muita inspiração, para ser cada vez melhor.
Olha só quanta coisa.
Fui pra casa, antecipei o presente de aniversário da minha mãe, completei 7 anos de namoro e renovei todas as minhas esperanças e alegrias no trabalho!!!
Saldo positivo, com certeza.
O resto nem merece comentário agora.
Eu deveria esconder meu rosto de vergonha... E mesmo assim sinto vontade de escrever.
Talvez porque seja o único meio de eu externar minha raiva.
Quem mais eu deixaria ver este meu lado descontrolado, esta agressividade carente e estúpida?
Chega! Chega de ser companheira.
Os sorrisos que todos assistem soam sarcásticos e debochados aos meus desejos.
Quem disse que sou feliz?
É irônico, mas TODOS dizem.
E será que ele também não acredita nisso?
Não... não... ele sabe de tudo...
Ele sabe e egoisticamente se recusa a mudar.
Talvez a segurança que lhe dou seja prêmio demais para alguém que desconhece a arte de se C-U-L-T-I-V-A-R um amor que um dia foi tão grande.
Hoje, sei que não há um pingo de coragem. Mas sei que toda esta desilusão está crescendo aqui dentro... crescendo... crescendo... crescendo...
E o que hoje são fotos rasgadas escondidas, recusas que ninguém sabe o porquê, esta enorme vontade de ficar apenas sozinha, ou lágrimas que ninguém vê, um dia pode ser um grande suspiro de adeus...
Aquele dia, quando conversamos, critiquei-lhe o jeito ¿frio¿, tão alheio aos sentimentos dos outros, um jeito que cuida do corpo, mas prefere não enxugar lágrimas ou ouvir lamúrias. Lembro-me que ele disse que a vida muda muito a gente, que eu não afirmasse ¿isso nunca acontecerá comigo¿, pois poderia tornar-me mesmo pior que as pessoas a quem julgava.
Hoje sei que foi um julgamento falso...
Hoje eu entendo aquele coração.
Entendo e admiro, pois sei que ele é muito melhor que o meu.
É o meu coração que está se fechando.
Aliás, ele nasceu fechado.
Ele é cheio de amor e, no entanto, fechado.
E isso me traz uma dor muito grande, pois as pessoas não podem ver o que não é exteriorizado por palavras ou gestos.
De todas as coisas que me feriram e ferem, nada machuca mais do que pensar que sou vista como fria ou insensível. Só Deus sabe o quanto choro sozinha pelo sofrimento alheio. Só Deus sabe quantas vezes, ou melhor, todas as vezes que guio minhas decisões pelo coração. Só Deus sabe o quanto me machuco pra não machucar os outros. E só Deus sabe todos os pensamentos de amor, fraternidade e compaixão que envio para meu próximo, para minha família.
Mas o que adianta só Deus saber?
Queria muito ser ¿aquele¿ tipo que as pessoas gostam. Queria muito, muito, ser diferente.
E se nunca consegui, agora está mais difícil ainda...
As paredes estão ficando maiores, desta vez, para me defender.
Defender-me do que espero e não acontece.
Defender-me do que sonhei, mas não vai se realizar.
Defender-me das decepções que já coleciono.
Por que querer que os amigos te liguem se eles vão sumir todos com o tempo? Por que cultivar lembranças do passado se elas estão cada vez mais amareladas? Por que chorar se não há quem me enxugue minhas lágrimas? Por que sentir saudades da família se eles nunca estão perto de mim? Por que desejar um abraço, um conselho, alguém que te entenda e dê um carinho se estas pessoas não existem? Por que desejá-lo se ele tem coisas mais importantes pra fazer?
E então, eu me defendo...
Defendo-me esquecendo...
Defendo-me não chorando...
Defendo-me não sentindo saudades...
Defendo-me não desejando-o...
Angústia (...) pode ser (...) não ter coragem de ter angústia -- e a fuga é outra angústia.¿ Clarice Lispector