Complicada, eu??? Sexo frágil, sim. Quando eu quiser. E daí?
Sábado, Novembro 29, 2003
Sempre ouvi dizer que "se não nos amamos, não sabemos amar ninguém". E o que de tão simples parecia não fazer sentido, concluí ser um aprendizado muito custoso.
Hoje, talvez tenha sido colocada à prova em grau máximo com minha capacidade de suportar estas adversidades que, com certeza, são várias vezes multiplicadas por este amontoado de sentimentos e pensamentos destrutivos que tenho alimentado. E reconheço: não estou conseguindo reverter este quadro.
Um abatimento profundo caiu em minh'alma depois de mais este insucesso e não sei onde estão as forças para reagir. Minha cabeça dá mil voltas e mesmo assim só descansa no desespero e em seguida na prostração.
Somado a isso, a felicidade dele me rebaixa ainda mais e me desprezo por esta atitude egoísta, à primeira vista invejosa, que não posso disfarçar.
Mas Deus sabe, não é inveja ou egoísmo. Talvez eu seja quem mais lhe quer ver feliz. É apenas a sensação de que não sirvo para ele, não consigo acompanhar-lhe os passos e me vejo, dia-a-dia, como um peso conduzido, apesar de tudo, com desvelo e carinho.
Envergonho-me cada vez que ele, pacientemente, me pergunta o que foi ou que algum amigo me pergunta por que estou triste. Ele não merece esta mulher fraca e desanimada ao seu lado. Crescer, por si só já é um trabalho muito difícil, e eu conheço muitas histórias de casais onde "um carrega o outro", inclusive em minha família. Deste contexto é realmente impossível um equilíbrio e a plenitude.
Meu aprendizado é longo e começa de dentro para fora. Tenho dragões terríveis a enfrentar. Percebo claramente: minha maior inimiga sou eu mesma. O problema é que ao invés de melhorar-me aos poucos, me desprezo dia-a-dia por tudo que não consigo ser, suportar, fazer. E por mais que uma vozinha me diga: "não faça isso, Carolina" não consigo dar-lhe ouvidos.
É como dormir com fome.
Pensa-se que tudo acaba, mas acorda-se com mais fome. Por mais que eu justifique ou me distraia com estudo ou trabalho, as horas de lucidez acontecem e moem minha falsa alegria deixando o bagaço da frustração.
E mais deprimente que pensar que é assim há um ano, é cogitar a possibilidade de que é assim há três, quatro, cinco... não sei. Sei que fecho os olhos e me vejo ao longe, da mesma maneira cansada, amarga e angustiada, empilhando lenta e bovinamente os tijolos do que chamam vida.
Enquanto queimo neste inferno brando, coleciono pecados e ele benesses. Sim, ele é tão bom que consegue me fazer sentir culpada por desejar mais, por me sentir carente e pela agressividade e frieza que exalam - minha reação a esta dor.
E ainda que eu grite, implore, chore, atire mil pedras neste lago, ele nem sequer oscila... As pedras são engolidas e daqueles olhos não partem uma reação sequer. Eles não choram, não reclamam, não recriminam. Uma falta de ação que me gela sem ser frio, desarma sem ser ameaçador, ignora sem ser rude e me obriga a guardar novamente todas as armas, virar as costas e seguir cansada, humilhada, sozinha.
Talvez receba um tesouro e considere uma lataria. Ou talvez guarde pedrinhas como se fossem diamantes. Tudo o que eu precisava era de discernimento, afinal, exijo muito ou ganho pouco?
Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Primeira: Há exatamente uma semana e dois dias ele comprou um carro. Pela primeira vez vou me dar o luxo de ter alguém me levando e buscando nos lugares. Sem contar que ter um carro nesta terra significa independência!
Segunda: Acho que meu mestrado finalmente engatilhou. Tá certo que o professor é um tremendo de um safado, mas o que importa é que ficou animado comigo e eu com ele. Quero muito que 2004 seja meu ano profissional.
Depois de uma semana de muita tensão, posso enfim respirar mais aliviada. Não que tenha dado tudo certo, mas se dos males aconteceu o menor, acho que só tenho o que agradecer à Deus.
E por falar em Deus, acho que estou finalmente reencontrando o centro de minha fé, onde sempre me apoiei, depois de minha família, e o único lugar onde posso me apoiar agora. Isso me faz bem, a certeza de orar e ser ouvida, pedir e receber...
No final, os pilares ficaram abalados e terei um difícil trabalho de reforma. Mas ficou a experiência, me sinto mais hábil, prática e lembro as palavras do professor de marketing: ¿você pode transformar tudo, menos a cultura de uma instituição¿. E assim será. Serei o que querem que eu seja, pois preciso deste trabalho. Vestirei a capa da mediocridade que todos vestem e me sentirei excepcional como todos se sentem.
Enquanto isso, trabalharei em silêncio minhas novas oportunidades, terminarei minha pós, farei meu mestrado. E quando o campo estiver pronto, a semente poderá ser lançada.
Ficou a certeza de que quero, como nunca, sair desta área, mas não sei como. Insistentemente a vida me oferece estes caminhos e rejeita qualquer outra coisa. Tento interpretar a finalidade de tudo, mas não consigo ou talvez não aceite. Não entendo como poderei um dia ter sucesso, sinto-me dia-a-dia afastando do que tanto desejei. E por que está sendo assim se não me acomodo? Se insisto tanto?
Dúvidas, inseguranças... é tudo o que levo comigo junto a um desejo muito grande de que no final tudo dê certo, ainda que não seja do meu jeito. O ¿certo por linhas tortas¿, também me faria feliz.
Feliz como o telefonema do meu grande amigo ontem.
- Puxa! Só agora que ouvi sua voz pude perceber como eram grandes as minhas saudades de você!
- Carol, estou precisando mais que nunca de sentar-me com vocês no banco da Elétrica e ficarmos conversando.
- Eu também, Rodrigo.
- Ouça o que estou ouvindo.
Era Chico...
E assim continuamos nossa conversa, com frases tão bem entendidas e acolhidas, onde até mesmo o silêncio era uma comunhão de sentimentos.
E como se não bastasse, sonhei com a maioria dos meus grandes amigos esta noite. Acordei saudosa e tranqüila. Com vontade de pegar uma caneta e escrever uma carta.
Ah, esse fenômeno instigante, o das amizades que se mantêm independentes da convivência.
Será amizade? Será saudade comum dos anos vividos em amizade? Será saudade dos anos felizes ou uma afinidade que se espraia no tempo? Não sei responder. Sei que com algumas pessoas (poucas), há uma insistência teimosa em desejar ver, trocar idéias e experiências, creio, pela certeza da reciprocidade e do "ser aceito".
Sim, talvez seja a certeza de ser aceito, uma das maiores necessidades humanas neste mundo de incompreensões. Talvez seja a necessidade da existência de certeza prévia de acolhimento ao que somos, como somos e ao que pensamos, o fermento da amizade.
O mistério da amizade talvez resida no alívio que traz a existência de alguém que nos acolha. Digo acolha e, não, recolha - aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro.
Acolher significa receber de bom grado, previamente, sem julgamentos ou resistências. É molesto o fato de que os seres humanos vivam a julgar e que suas opiniões prévias interponham barreiras na comunicação, dificultando-a.
O mistério da afinidade consiste na inexistência das resistências ao outro, mesmo quando haja discordância. Isso não deriva apenas de afeto. Quantas vezes há afeto entre as pessoas sem, porém, a aceitação natural, espontânea e prévia?
Verifique nas amizades tidas e vividas ao logo da vida, o que delas restou. Haverá muita vivência, boa e má. Raramente, porém, restará a amizade...
Com os anos, vão se tornando escassas as amizades que atravessaram o terreno íntimo que lhes é próprio sem arranhões e sem mágoas, restando, como fruto, após ingentes experiências humanas e existenciais, apenas (e já é tanto...) a amizade.
Amizade é o que resta da amizade. Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é. Da verdadeira!
Estou com a corda no pescoço. Pensei que nada poderia piorar, mas aconteceu o pior.
E realmente não sei como isso foi acontecer ou se há solução.
Um monte de fatores que somaram-se e o resultado foi esta bomba.
Enquanto isso meu corpo somatiza estes problemas e eu implora `a Deus por um desfecho mais feliz, por uma reconsideração.
Como isso pode acontecer? Eu mal posso acreditar! Por que as coisas só pioram?
A revolta deu lugar a um enorme desalento. Uma vontade de sumir, desaparecer, de morrer (Deus me perdoe).
Estou vendo que novamente vou perder meu norte, se é que algum dia tive um.